Castelo de Óbidos,
a vila que os reis davam às rainhas.
Guia de visita ao castelo, à vila e à região. Atualizado em setembro de 2026.
Conquistado aos mouros em 1148 e oferecido por D. Dinis à rainha Isabel, o Castelo de Óbidos guarda uma vila inteira dentro das muralhas. Visita-se a pé e sem bilhete, pelas ruas caiadas ou por cima de 1565 metros de muralha.
Conquista
1148
Aos mouros, por D. Afonso Henriques.
Muralha
1565 m
À volta da vila, com troços até 13 m de altura.
Entrada
Livre
Na vila, na cerca do castelo e na muralha.
De Lisboa
88 km
Cerca de uma hora pela A8.
A história do Castelo de Óbidos
Não houve um só construtor do Castelo de Óbidos. Houve mais de mil anos deles.
Os muçulmanos fortificaram o monte no século VIII, sobre terras que lusitanos e romanos já tinham ocupado. Depois da conquista cristã, cada reinado acrescentou uma camada — muralhas, torres, portas — até ao restauro do século XX que lhe deu o aspeto de hoje. O próprio nome guarda a função: a explicação mais citada liga «Óbidos» ao latim oppidum, cidade fortificada.
Os muçulmanos fortificam o alto do monte. O sítio já era habitado: a cidade romana de Eburobrittium fica a poucos quilómetros.
D. Afonso Henriques toma Óbidos aos mouros, um ano depois de Santarém e Lisboa. Conta a tradição que, enquanto parte das tropas atacava a Porta da Vila, os cavaleiros de Gonçalo Mendes da Maia entraram de noite pelo lado nascente.
D. Afonso II dá a vila à mulher, D. Urraca. É a primeira rainha senhora de Óbidos.
Na guerra entre D. Sancho II e o irmão, o futuro D. Afonso III, Óbidos resiste ao ataque e fica com o título de «mui nobre e sempre leal».
D. Dinis dá Óbidos a Isabel de Aragão, a futura Rainha Santa, como prenda de casamento. A vila passa de rainha em rainha até 1834: é a Vila das Rainhas.
No reinado de D. Fernando ergue-se a torre que ainda hoje tem o seu nome.
O terramoto que arrasou Lisboa danifica gravemente o castelo e parte da muralha.
Nas Invasões Francesas, é junto a Óbidos que ingleses e franceses trocam os primeiros tiros em Portugal, dias antes da Batalha da Roliça.
O castelo é classificado Monumento Nacional.
Depois de duas décadas de restauro, o paço do castelo abre como pousada, uma das primeiras do país instaladas num monumento histórico.
É eleito uma das 7 Maravilhas de Portugal.
Visitar o Castelo de Óbidos: preço, horário e o que se pode ver
É a pergunta que mais se faz: o Castelo de Óbidos é pago? Não é. A vila, a cerca do castelo e a muralha visitam-se livremente. O interior do paço é outra coisa: funciona como pousada e fica para hóspedes e clientes do restaurante.
Preço
Entrada livre
Há bilhete só para os grandes eventos que ocupam a cerca do castelo: o Festival de Chocolate, o Mercado Medieval e o Óbidos Vila Natal.
Horário
Sem bilheteira nem hora de fecho
A vila está sempre aberta. Para a muralha, conte com a luz do dia: o caminho de ronda não tem proteção.
Dentro do castelo
O pátio, a cerca e o miradouro
O interior do paço é a pousada, aberta a hóspedes e a quem reserva mesa no restaurante.
Quanto tempo
Duas a três horas
Para a vila e a volta à muralha. Um dia inteiro, se juntar a Lagoa de Óbidos ou as praias do Oeste.
Melhor altura
De manhã cedo ou ao fim da tarde
Antes ou depois dos grupos. Julho, agosto e dezembro são os meses com mais gente.
Mobilidade
Calçada e ruas a subir
Com carrinho de bebé ou dificuldade em andar, entre pela Porta da Senhora da Graça e faça a Rua Direita a descer.
Percorrer a muralha de Óbidos
A muralha dá a volta completa à vila: 1565 metros, com troços de até 13 metros de altura. Lá de cima vê-se o que as ruas escondem.
Os telhados, os quintais, os campos até à Lagoa. É a melhor parte da visita e a que pede mais cuidado.
Por onde subir e quanto demora
Há vários acessos. O mais usado é a escada junto à Porta da Vila, logo à entrada. Daí pode seguir para norte, até ao castelo, ou para sul, até à Torre do Facho. A volta inteira leva entre 45 minutos e uma hora, com paragens para fotografias.
Para onde olhar
Do lado do castelo, a torre de D. Fernando e as ameias do paço. A meio, o casario branco com as barras azuis e amarelas que são a imagem de Óbidos. No extremo sul, a Torre do Facho, de onde, diz o nome, se faziam sinais com fogo.
Antes de subir
O caminho de ronda é estreito, tem degraus irregulares e não tem guarda do lado de dentro. Não é indicado para crianças pequenas nem para quem tem vertigens. Use calçado com sola que agarre e não suba com chuva ou vento forte.
O que ver em Óbidos, dentro das muralhas
A vila atravessa-se a pé em poucos minutos pela Rua Direita, mas vale a pena perder-se nas ruas paralelas. Estes são os sítios a não deixar de lado.
Porta da Vila
A entrada principal faz um cotovelo, desenhado para travar quem atacava. Por dentro tem uma varanda-capela e azulejos do século XVIII com a Paixão de Cristo.
Rua Direita
A rua principal sobe da Porta da Vila até ao castelo. Tem as lojas, as tascas e as esquinas mais fotografadas, com o branco da cal cortado por barras azuis e amarelas.
Igreja de Santa Maria
A igreja matriz, na praça principal. Foi aqui que o futuro D. Afonso V casou com a prima Isabel, em 1441, quando os dois eram ainda crianças. Lá dentro há pinturas de Josefa de Óbidos, a pintora do século XVII que viveu na vila.
Pelourinho
Em frente à igreja. Tem esculpido um camaroeiro, uma rede de pesca: a rainha D. Leonor escolheu-o em memória dos pescadores que lhe trouxeram numa rede o corpo do filho, morto em 1491.
Livrarias
Óbidos é Cidade Criativa da Literatura da UNESCO desde 2015. Há livros à venda em sítios improváveis, incluindo uma antiga igreja.
Ginja de Óbidos
O licor de ginja da vila bebe-se num copo de chocolate, que se come a seguir. Prova-se em muitas lojas da Rua Direita. O que é a ginja de Óbidos e onde provar.
A região de Óbidos: o que ver à volta da vila
Óbidos fica no Oeste, entre Lisboa e Leiria, com o mar a poucos quilómetros. Se tem o dia inteiro, junte à vila um destes sítios.
Lagoa de Óbidos
Uma das maiores lagoas costeiras do país, separada do mar por um cordão de areia. Água calma para famílias, vento para vela e kitesurf, e a Foz do Arelho, já no concelho vizinho, onde a lagoa encontra o Atlântico.
Aqueduto de Óbidos
Mandado construir pela rainha D. Catarina no século XVI, trazia água da Usseira até à vila ao longo de cerca de 3 km. Os arcos veem-se logo à chegada.
Santuário do Senhor da Pedra
Igreja barroca do século XVIII, de planta hexagonal, no sopé da vila, junto à estrada para Caldas da Rainha.
Eburobrittium
Estação arqueológica de uma cidade romana, a poucos quilómetros da vila. A prova de que o sítio era habitado muito antes do castelo.
Caldas da Rainha
A cidade vizinha, a cerca de dez minutos de carro: o mercado diário da Praça da Fruta e a faiança de Bordallo Pinheiro.
Praias do Oeste
A Praia d'El Rey fica no concelho de Óbidos. Peniche e o Baleal estão a menos de meia hora; a Nazaré, a cerca de 40 minutos.
Óbidos ao longo do ano: festivais e eventos
Quatro vezes por ano, a vila enche. Se quer ver Óbidos em festa, escolha uma destas alturas; se prefere ruas calmas, fuja delas.
As datas mudam de ano para ano. Confirme na agenda do Município de Óbidos antes de marcar.
Março
Com bilhete
Festival Internacional de Chocolate
Esculturas, oficinas e concursos de chocolate na cerca do castelo.
Julho
Com bilhete
Mercado Medieval
Justas, cortejos, tabernas e trajes de época na zona do castelo.
Outubro
FOLIO
O Festival Literário Internacional de Óbidos: autores, conversas e livros espalhados pela vila.
Dezembro
Com bilhete
Óbidos Vila Natal
Diversões, espetáculos e neve artificial para famílias, na cerca do castelo.
De fim de novembro ao início de janeiro.
Como chegar a Óbidos e onde estacionar
- De carro
- 88 km de Lisboa pela A8, cerca de uma hora. Do Porto, cerca de duas horas e meia.
- De autocarro
- A Rápida Verde liga Lisboa (Campo Grande) a Óbidos em cerca de uma hora, com partidas ao longo do dia. A paragem fica a poucos minutos a pé da Porta da Vila.
- De comboio
- A estação de Óbidos, na Linha do Oeste, fica no sopé da vila, mas tem poucos comboios. A partir de Lisboa, o autocarro é mais prático.
- Estacionar
- Não se estaciona dentro das muralhas. Há parques à volta da vila, a poucos minutos a pé; em julho, agosto, outubro e dezembro enchem cedo por causa dos eventos.
Perguntas frequentes sobre o Castelo de Óbidos
O Castelo de Óbidos é pago?
Não. A entrada na vila, na cerca do castelo e na muralha é livre. Só se paga bilhete durante os grandes eventos que ocupam a cerca do castelo, como o Festival Internacional de Chocolate, o Mercado Medieval e o Óbidos Vila Natal.
Pode-se entrar dentro do Castelo de Óbidos?
Pode visitar o pátio, a cerca e o miradouro, e subir à muralha. O interior do paço é hoje uma pousada: está aberto a hóspedes e a quem reserva mesa no restaurante.
Quem construiu o Castelo de Óbidos?
Ninguém sozinho. Os muçulmanos fortificaram o monte no século VIII. Depois da conquista de 1148, os reis portugueses foram reforçando o castelo e a muralha: D. Dinis, D. Fernando, que deixou uma torre com o seu nome, e os que se seguiram. O aspeto atual deve muito ao restauro feito entre as décadas de 1930 e 1950.
Quando foi construído o Castelo de Óbidos?
As primeiras fortificações são do século VIII, do período muçulmano. A primeira referência escrita ao castelo português é de 1153, cinco anos depois da conquista por D. Afonso Henriques.
Quem viveu no Castelo de Óbidos?
Os alcaides, que defendiam e governavam a vila em nome do rei ou da rainha a quem Óbidos pertencia. Hoje, quem lá dorme são os hóspedes da pousada.
Quanto tempo é preciso para visitar Óbidos?
Duas a três horas chegam para a vila e a volta à muralha. Para um dia inteiro, junte a Lagoa de Óbidos, o aqueduto ou as praias do Oeste.
Onde estacionar para visitar o castelo?
Nos parques à volta das muralhas, a poucos minutos a pé da Porta da Vila. Dentro da vila não se pode estacionar. Em julho, agosto, outubro e dezembro os parques enchem cedo por causa dos eventos.
A muralha de Óbidos é segura para crianças?
O caminho de ronda é estreito em vários troços e não tem proteção do lado de dentro. Não é aconselhável para crianças pequenas. Com crianças mais velhas, vá de mão dada e evite dias de chuva ou vento.
Onde fica Óbidos?
No Oeste de Portugal, no distrito de Leiria, a 88 km a norte de Lisboa pela A8, perto de Caldas da Rainha e da costa atlântica.
Antes de ir
Calçado fechado com sola que agarre: a calçada e a muralha escorregam.
Nos meses de eventos, chegue de manhã cedo para ter lugar nos parques.
Suba à muralha de dia e sem chuva.
No verão, leve água: em cima da muralha não há sombra.
Para ver o interior do castelo, reserve na pousada ou no restaurante.
Guarde espaço para uma ginja em copo de chocolate.
A caminho do castelo
A Rua Direita sobe da Porta da Vila até ao castelo. No número 28, do lado esquerdo de quem sobe, está o nosso mercado.
Fruta e legumes de produtores do Oeste, pão de moleiros da zona, vinhos e a ginja da própria vila. Estamos dentro das muralhas desde 2013, a dois ou três minutos a pé da Porta da Vila.
Morada
Rua Direita 28
2510-102 Óbidos
Horário
Todos os dias, 9h–22h.